Condenados 11 integrantes de empresa de segurança acusada de formar milícia armada em Pelotas
07/12/2017 - 7h51 em Notícias

MP vai recorrer para aumentar penas; condenação ainda não atinge réus em liberdade, como ex-comandante do 20º BPM

A Justiça de Pelotas condenou 11 integrantes de um grupo criminoso ligado à empresa Nasf Portaria e Segurança e acusado de formação de quadrilha. A soma das condenações de todos os réus ultrapassa 100 anos de reclusão. Conforme as investigações do Ministério Público, a empresa, em vez de atuar, em tese, com o serviço de zeladoria, cometia crimes como tortura, milícia armada, lesões corporais, danos patrimoniais e incêndio.

Foram condenados Nelson Antônio da Silva Fernandes, a 18 anos e dois meses de reclusão em regime fechado; José Edson Rangel de Medeiros, a 13 anos e seis meses; Eduardo Felipe Faustini de Medeiros, a 12 anos e dez meses; Carlos Henrique Barros Guimarães, a dez anos e seis meses; Wagner Nicoletti Fernandes, a dez anos e quatro meses; Rafael Aires Vieira, a 11 anos e dez meses; Sílvio Luís Soares Vargas, a 11 anos e seis meses; Mauro Fernando Silveira Silva, a 11 anos e dez meses; Elizeu Valdemir Bueno, a 11 anos e dez meses; Éverton Marques Porto, a nove anos e seis meses; e Gérson Roberto Peixoto Garcia, 14 anos e dois meses.

A condenação se refere apenas aos réus presos até o momento. Como houve uma cisão, o processo envolvendo os demais réus, que respondem em liberdade, entre eles o tenente-coronel André Luís Otonelli Pithan, que comandou o 20º Batalhão de Polícia Militar, segue em fase de instrução.

De acordo com o promotor de Justiça Reginaldo Freitas da Silva, o Ministério Público vai recorrer para aumentar a pena aplicada aos réus que estão presos e para que eles sejam condenados por outros crimes apontados na denúncia.

O juiz André Luís de Oliveira Acunha apontou, no despacho, que, conforme o depoimento de vítimas e testemunhas, os integrantes da milícia agiam em patrulhamento ostensivo, abordando indivíduos em via pública, ou mesmo invadindo residências, com a finalidade de obter confissões de crimes e também para demonstrar poder.

“A Nasf era um grupo de pessoas, tanto civis quanto militares, constituída com a finalidade de devolver a segurança retirada da comunidade por falta de efetividade do Estado. Contudo, os agentes ocuparam o espaço territorial oferecendo proteção, ignorando o monopólio estatal do controle social, valendo-se, para tanto, de violência e grave ameaça contra aqueles que afrontavam, ou pudessem afrontar os bens de seus clientes, formando, verdadeiramente, um poder paralelo”, sublinhou o magistrado.

Operação Braço Forte teve grupo como alvo no ano passado

Em abril de 2016, o MP desencadeou a Operação Braço Forte, que teve a quadrilha como alvo. Além das prisões, foram recolhidos veículos e apreendidos armas de fogo, armas brancas, porretes, algemas, celulares e computadores, entre outros itens.

Fonte: RADIO GUAIBA

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