O planeta Terra já acumula quase 8 mil toneladas de lixo espacial em sua órbita
11/07/2018 20:09 em Notícias

A queda da estação espacial chinesa Tiangong-1 no Oceano Pacífico, em abril, chamou a atenção do mundo para a questão da sucata na órbita da Terra. Conforme estudos da ESA (Agência Espacial Europeia), entretanto, o problema é bem mais grave que a queda de um módulo desativado de quase 9 toneladas: a quantidade de lixo aumentou consideravelmente nos últimos anos, deixando o espaço em torno do planeta cada vez mais próximo do limite de saturação.

Em 60 anos de atividade espacial, mais de 5 mil lançamentos de foguetes fizeram com que a órbita da Terra ficasse repleta de dejetos. A ESA estima que satélites inoperantes, partes de foguetes, peças de espaçonaves e pedaços de objetos relacionados a missões espaciais já somam 7,5 mil toneladas de lixo orbital.

Esses detritos viajam em torno do planeta em velocidades alucinantes, que podem passar dos 28 mil quilômetros por hora. Nessas condições, a colisão de um pequeno parafuso com um satélite pode ter o efeito de um tiro de canhão.

“Se reduzirmos hoje mesmo os lançamentos espaciais a zero, o número de objetos vai continuar aumentando da mesma forma. Isso porque cada colisão espalha um grande número de detritos, que continuam viajando no espaço em grande velocidade, produzindo novas colisões”, alerta o diretor do Escritório de Detritos Espaciais da ESA, Holger Krag.

“Síndrome de Kessler”

Segundo Krag, esse efeito-cascata, que tende a aumentar exponencialmente os riscos de novas colisões, praticamente inviabilizando o uso da órbita terrestre para atividades espaciais, foi previsto em 1978 por um consultor da Nasa, Donald Kessler. Passados 40 anos, a chamada “síndrome de Kessler” já é uma realidade.

“Há cinco anos, concluímos que a síndrome de Kessler já acontece em algumas regiões do espaço e então corremos para implementar nosso programa de redução do lixo espacial. Estamos desenvolvendo tecnologias de remoção ativa dos detritos. Se conseguirmos recursos, o programa entrará em ação em 2023”, prevê Krag.

Ele conta que a prioridade é retirar do espaço os objetos grandes (que são a maior fonte de novos detritos) e os mais próximos à Terra, onde se concentra mais lixo: “Objetos menores também são perigosos, mas têm mais chance de cair na atmosfera, desintegrando-se”.

Ainda conforme o especialista, o tempo entre duas colisões está ficando cada vez mais curto. “Hoje, acontece uma colisão a cada cinco anos, provocando milhares de fragmentos. Nesse ritmo, em poucas décadas a órbita baixa da Terra ficará impraticável.”

Em 2009 foi registrada a primeira colisão entre dois satélites de comunicação – um russo e desativado contra um norte-americano em operação. “Só nesse episódio foram lançados mais de 2 mil fragmentos de lixo, por isso é tão urgente rastrear e eliminar esses objetos maiores”, ressalta Krag.

Até agora, já foram rastreados na órbita da Terra 750 mil fragmentos com tamanho entre 1 e 10 centímetros, além de mais de 23 mil detritos com dimensões maiores. Estima-se que haja, ainda, 166 milhões de dejetos com menos de 1 centímetro, que não podem ser rastreados.

Fonte: O SUL

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