A falta de votos já fez duas vítimas na disputa à Presidência da República
15/07/2018 - 8h17 em Notícias

Enquanto as lideranças do “Centrão” seguem negociando em busca de um nome competitivo para as eleições de outubro, dois candidatos que nunca chegaram a 2% nas pesquisas, ficaram pelo meio do caminho na semana que passou. Na quinta-feira (12), Guilherme Afif Domingos (PSD) perdeu a legenda, depois que o PSD fechou aliança com o PSDB de Geraldo Alckmin. Na sexta-feira (13), foi a vez de Flávio Rocha, o dono das lojas Riachuelo, anunciar que estava saindo da disputa. O PRB, partido do empresário e ligado à Igreja Universal, também está próximo de fechar aliança com os tucanos.

As informações são do jornal O Dia.

Em vídeo, Rocha defendeu a união contra os “extremos”. “O Brasil passa por um momento turbulento, não pode flertar com extremos. Mais do que nunca, vemos como necessário que todos que sonham com um Brasil livre e democrático se unam num único projeto de convergência”, disse. No entanto, ao Estado de S. Paulo, o empresário disse que não se anima a apoiar os candidatos já lançados. “Os nomes que estão aí são os mesmos de quando tomei a decisão difícil de abandonar a vida empresarial no melhor momento para me lançar nessa empreitada.”

Os partidos do “Centrão” (PP, DEM, Solidariedade e PRB) se reuniram neste sábado para mais uma rodada de negociações em busca de um consenso. O PR negocia com Jair Bolsonaro (PSL), enquanto as outras legendas estão mais próximas de Alckmin e de Ciro Gomes (PDT).

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, disse na sexta-feira que os partidos que apoiarem Ciro devem entregar os cargos que ocupam no governo Temer. “Não queremos candidatos no palanque dizendo que a Reforma Trabalhista foi um crime e todos fiquem com cara de paisagem.”

Lula ou Ciro

O anúncio do governador Paulo Câmara, de Pernambuco, de que vai apoiar o ex-presidente Lula ou a um nome do PT na disputa presidencial deixou o PSB à beira de um racha. O deputado Julio Delgado, vice-líder do partido na Câmara, lamentou a divisão interna. Dirigentes da legenda já haviam manifestado apoio ao pré-candidato do PDT, Ciro Gomes.

Delgado acredita que será muito difícil o PSB seguir unido neste pleito e a tendência é que a sigla libere os Estados e cada um siga o caminho que lhe for mais conveniente, priorizando as alianças regionais. “Estamos como biruta de aeroporto rodando, isso é muito ruim. Com todo respeito a Câmara, sabemos que Lula está inelegível. Ficar nessa situação a menos de um mês para a definição das alianças é o pior dos cenários”, disse.

Já a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, cobrou que o PSB feche “coligação formal”. Em Salvador, a senadora disse querer que o partido e o PCdoB “estejam juntos na chapa com o presidente Lula, não que eles liberem os Estados”. O PT conta como certo, porém, só o apoio do PSB, que governa Pernambuco e Paraíba, no Nordeste.

Nome alternativo

A pesquisa semanal que o Ipespe (Instituto de Pesquisas Econômicas) faz para a corretora XP Investimentos revela que o apoio ao ex-presidente Lula se reforçou durante a semana que começou no domingo passado, com a sua quase saída da cadeia e indica que o petista tem muita capacidade de transferir votos para um eventual nome alternativo do PT.

O levantamento, publicado no site Infomoney, trabalha com vários cenários. Em um deles, os entrevistados foram apresentados aos pré-candidatos, com o pressuposto de que Fernando Haddad contava com o apoio de Lula. Isso fez com que o ex-prefeito de São Paulo saltasse de 2% para 12% da preferência dos eleitores, o que o colocaria atrás apenas de Jair Bolsonaro (com 21%) e em empate técnico com Marina Silva (11%).

No cenário com Lula, o ex-presidente atinge 30% da preferência, contra 28% na semana passada.

A pesquisa foi feita por telefone, de segunda-feira (9) a quarta-feira (11), e ouviu 1 mil eleitores.

O PT pretende registrar a candidatura de Lula em 15 de agosto. Caso a Justiça Eleitoral não defira o nome do ex-presidente, o partido poderá substituí-lo até 17 de setembro, 20 dias antes da eleição.

Fonte: O SUL

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