Lula some de campanha do PT no segundo turno; Bolsonaro ataca
11/10/2018 15:43 em Notícias

Neste segundo turno eleitoral, parece que Haddad não vai ser tão Lula. O GPS Eleitoral, ferramenta do jornal Folha de S.Paulo que monitora as estratégias dos candidatos, mostra que praticamente desapareceram conteúdos referentes a defesa e elogios ao ex-presidente, que eram comuns na campanha de Haddad. O sistema analisou o que o petista e o também candidato Jair Bolsonaro (PSL) publicaram desde segunda (8), quando começou campanha de segundo turno, em vídeos e postagens no Facebook e Twitter.

Desde que foi oficializado como postulante pelo PT, Haddad colocava semanalmente como um de seus cinco principais assuntos de campanha algo relacionado a Lula. Em algumas semanas esse chegou a ser o assunto com mais inserção, como no fim do mês passado, com vídeos sobre políticas do ex-presidente para o Nordeste. Nesta semana, nenhum tópico relacionado ao ex-presidente ficou entre os cinco mais mencionados. A estratégia do PT foi transferir o máximo possível desses eleitores que Lula tinha. Agora, a ideia parece ser se aproximar de outros públicos.

O tema mais mencionado por Haddad em seus vídeos foi a proposta de tirar o nome de pessoas devedoras de serviços de proteção ao crédito, como Serasa e SPC. Esse foi um dos principais temas no primeiro turno de Ciro Gomes (PDT), candidato derrotado que agora declarou apoio ao petista. Líder com 46% dos votos na primeira rodada, Bolsonaro manteve como tópico mais citado os ataques ao PT. Um dos temas presentes foi justamente a ligação de Haddad com Lula, lembrando que o ex-presidente está preso.

O GPS Eleitoral fez transcrição de todos os vídeos publicados pelas campanhas em seus canais oficiais, que totalizaram 1h29s no período. Também foram consideradas todas as postagens dos candidatos na rede social. Modelo estatístico analisou as 15 mil palavras e apontou os temas mais presentes.

Fake News

Fernando Haddad pediu nesta quinta-feira (11) ao secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Leonardo Steiner, que orientasse os fiéis em relação às notícias falsas da internet, as chamadas fake news.

“Pedi ao dom Leonardo que recomendasse um cuidado maior com as notícias de internet. As pessoas estão sendo bombardeadas com informações falsas. Antes de propagar essas informações falsas, gostaria que a Igreja recomendasse às pessoas, no momento deste segundo turno, que pudéssemos , não inibir o fluxo de informação, mas checar antes se aquilo é verdade ou não. Se aquilo for verdade, as pessoas têm que saber. Mas, se não for, as pessoas têm que ter um compromisso de barrar a propagação da mentira”, afirmou Haddad.

“Kit gay” para crianças de 6 anos é notícia falsa

Ao falar de fake news, o petista criticou diretamente a atuação de seu adversário no segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL). Haddad mencionou a repetida acusação do capitão reformado de que ele, quando ministro da Educação, distribuiu o “kit gay” para crianças de 6 anos.

“Em primeiro lugar, isso nunca aconteceu. Em segundo lugar, é um desrespeito às professoras do Brasil. Imagina se uma professora vai receber um material impróprio para criança de 6 anos sobre sexualidade e ela vai usar este material sem questionar. Isso é completamente impossível de acontecer. Mesmo que alguém tenha em mente isso, temos uma rede de proteção que são as próprias escolas, as diretoras, as professoras”, afirmou.

“Temos que ganhar a eleição por meio do melhor projeto, do melhor argumento, de como tirar o País da crise, e não atacando a honra das pessoas com informações falsas. Usar mentira para ganhar voto não me parece recomendável no estado democrático de direito.”

“Brasil merece um debate”

O petista também criticou seu adversário que, alegando restrição médica, não participará de alguns debates na TV. O primeiro seria nesta quinta-feira na Band e Haddad afirmou que “o Brasil merece um debate”.

“Sou leigo, mas me parece contraditório uma pessoa não poder debater e poder dar entrevista. Entrevista é um debate com jornalista. Qual a diferença? Às vezes um jornalista é mais duro que um adversário”, provocou Haddad, complementando que, por ser um educador, tratará seu oponente com deferência.

Fonte: O SUL

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
PUBLICIDADE