O ministro Sérgio Moro encaminhou à Polícia Federal novas denúncias feitas por Jean Wyllys
31/01/2019 16:44 em Notícias

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, decidiu encaminhar as novas denúncias feitas pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) para a Polícia Federal. O parlamentar enviou a Moro documentos que mostram que as ameaças de morte contra ele e a família seguem sendo feitas, mesmo depois de anunciar a decisão de abrir mão de seu mandato e sair do Brasil. As informações são da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo.

Ofício relatou novas ameaças

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) enviou um ofício ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, afirmando que elas voltaram a se repetir.

Por meio de sua assessoria, o parlamentar afirmou que recebeu duas mensagens, no sábado (26) e na segunda (28), em seu email institucional.

Nelas, uma pessoa que usa o nome de Emerson Eduardo Rodrigues Setim diz planejar o assassinato de familiares de Jean Wyllys.

Para a surpresa e maior temor do deputado, o texto foi enviado para os emails familiares dele.

“Isto não é uma bravata, é só um aviso”, diz a mensagem. “Foram colocados três sicários ao serviço de nossa corporação Comando Virtual Macelo Valle. Dado como objetivo, fora solicitado a eliminação de três alvos de forma não consecutiva”.

Em seguida, são citados irmãos do parlamentar e os números de seus respectivos documentos.

“O Jean pode estar exilado na Europa, ‘seguro’, mas não podemos dizer o mesmo de vocês”, finaliza o autor da ameaça.

O nome que batiza a corporação citada no email é o de um criminoso que já foi preso e que anteriormente já tinha feito ameaças ao deputado do PSOL.

A assessoria de Wyllys pede a Moro que, “dada a gravidade das mensagens, especialmente consideradas em um contexto onde o parlamentar se viu obrigado a sair do Brasil para preservar a própria integridade física”, seja efetivada “a imediata apuração desses e dos demais episódios e ameaças a que o deputado Jean Wyllys vem sendo violentamente submetido”.

Desistência

Eleito pela terceira vez consecutiva deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Jean Wyllys, 44, vai abrir mão do novo mandato. Eleito com 24.295 votos e que está fora do País, de férias— revelou ao jornal que não pretende voltar ao Brasil e que vai se dedicar à carreira acadêmica.

O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, confirmou que a vaga de Wyllys deve ser ocupada pelo suplente David Miranda (PSOL-RJ), que atualmente é vereador no Rio de Janeiro.

Desde o assassinato da sua correligionária Marielle Franco, em março do ano passado, Wyllys vive sob escolta policial. Com a intensificação das ameaças de morte, comuns mesmo antes da morte da vereadora carioca, o deputado tomou a decisão de abandonar a vida pública.

“O [ex-presidente do Uruguai] Pepe Mujica, quando soube que eu estava ameaçado de morte, falou para mim: ‘Rapaz, se cuide. Os mártires não são heróis’. E é isso: eu não quero me sacrificar”, justifica.

De acordo com Wyllys, também pesaram em sua resolução de deixar o País as recentes informações de que familiares de um ex-PM suspeito de chefiar milícia investigada pela morte de Marielle trabalharam para o senador eleito Flávio Bolsonaro durante seu mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

Fonte: O SUL

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