O senador Flávio Bolsonaro

Foto: Pedro França/Agência Senado (19.fev.2019)

Em decisão colegiada tomada nesta quarta-feira (23) pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), o advogado Victor Granado Alves não será investigado pelo Ministério Público Federal, nem figurará como testemunha na apuração sobre suposto vazamento da operação Furna da Onça para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).  

A decisão foi tomada de forma unânime pelos desembargadores Paulo Espírito Santo, Ivan Athié e Simone Schreiber, que compõem a 1ª Turma Especializada da corte. 

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Para Ivan Athié, o julgamento foi uma perda de tempo. Segundo o desembargador, Paulo Marinho, por ser suplente de Flávio, teria interesse pessoal em prejudicar o senador para assumir sua vaga. Athié ainda questionou, em seu voto, os motivos de marinho ter levado a público o suposto vazamento somente agora, e não ná época do suposto fato. 

“Que perda de tempo instaurar um procedimento de investigação para tentar descobrir o que esse advogado viu ou ouviu. Os investigadores têm muito mais o que fazer do que ficar acreditando na versão de um cidadão que tem interesses nisso. Por que só agora? Por que não falou na época?”, indagou o magistrado. 

Athié ainda afirmou que, independentemente se houve vazamento ou não, a Operação Furna da Onça foi um sucesso, dizendo ainda que ninguém “escapou das garras da lei”.

O advogado Victor Granado é uma das pessoas que o empresário Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro, afirmou ter participado de uma reunião na Polícia Federal, em 2018, na qual um delegado teria informado que o assessor de Flávio, Fabrício Queiroz, aparecia em um documento dentro da investigação.

Ainda de acordo com Paulo Marinho, em entrevistas concedidas e em depoimentos ao Ministério Público e à Polícia Federal, ao saber da menção de seu assessor nas investigações, o filho “01” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) exonerou Queiroz do cargo.

Granado, no dia 27 de maio, foi chamado para depor como testemunha na investigação do MPF sobre o suposto vazamento. Nessa ocasião, o advogado ficou em silêncio após alegar sigilo profissional, por ter sido advogado de Flávio. Sendo assim, o MPF mudou sua condição de testemunha para investigado, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entrou com pedido na Justiça para suspender a apuração. Em julho, o desembargador Paulo Espírito Santo concordou com o pedido da OAB e impediu Victor de prestar novo depoimento, travando a investigação.  

Sobre a investigação das "rachadinhas"

Em 2018 a Operação Furna da Onça prendeu 10 deputados estaduais por participarem de esquema de corrupção do então ex governador Sérgio Cabral. A operação foi um desdobramento da Lava Jato do Rio. 

Dentro dessa operação, existia um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) que mencionava Fabrício Queiroz. Foi nessa ocasião que Flávio Bolsonaro teria sido avisado da existência desse relatório e da menção de seu assessor. 

O relatório foi então enviado para o Ministério Público Estadual do Rio, e revelado no final de 2018. Foi a partir desse encaminhamento que começou a investigação das rachadinhas.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/2020/09/23/trf-2-nega-investigacao-contra-ex-advogado-de-flavio-bolsonaro

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