Em grande parte da rede privada, a demanda atual de medicamentos utilizados nas UTIs é suficiente para até o fim de julho, segundo o Sindipar.

A ocupação dos leitos dos hospitais particulares do Paraná, tanto de pacientes com Covid-19 e pacientes em geral, está entre 80% e 85% , segundo o presidente do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar), Flaviano Feu Ventorim.

Conforme o sindicato, em todo o Paraná existem 350 hospitais particulares, sendo que 50 deles estão instalados em Curitiba.

Ao todo, existem 26.529 leitos em geral, sendo que 3.517 são de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

O boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), divulgado na quinta-feira (2), apontou que 277 pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19 estão internados na rede privada de todo o estado.

Desse total, 112 estão em UTIs.

Para Flaviano, o índice de ocupação na rede privada ainda é considerado tranquilo, mas a preocupação é grande caso haja um aceleramento descontrolado de casos.

De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), 2.871.047 de paranaenses possuem plano de saúde.

O índice representa cerca de 25% do total da população estimada para 2019, que é de 11.433.957, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"No momento não é uma situação caótica, as UTIs, normalmente, trabalham com esse índice de ocupação mesmo, mas é preocupante no sentido de haver necessidade da população assumir a sua responsabilidade.

Se muita gente se contamina, muita gente vai procurar o hospital ao mesmo tempo.

Ou seja, aí, sim, teremos um problema", explicou.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, como qualquer empresa privada, os hospitais privados têm sua estrutura definida e se organizam conforme sua demanda e capacidade de atendimento.

Eventualmente podem realizar ampliação, se possuírem condição financeira e estrutural para isso.

Quando lotam, não há muito que fazer.

Os pacientes neste caso devem recorrer à sua operadora de saúde para que possa indicar outro hospital que da sua rede credenciada. "Os hospitais privados, em uma analogia muito simples, por exemplo, são como restaurantes que têm um determinado número de mesas para ocupar.

Chegou na ocupação, não tem mais como atender, afirmou.

Em uma suposta situação de lotação nas unidades privadas, os pacientes, ainda de acordo com Ventorim, também poderiam recorrer ao serviço público.

Taxa de ocupação dos leitos do SUS exclusivos para a Covid-19 no Paraná Confira a seguir a taxa de ocupação dos leitos do SUS exclusivos para a Covid-19 até quinta-feira (3): 66% dos 811 leitos de UTI para adultos 39% dos 1.290 leitos de enfermaria para adultos 24% dos 37 leitos de UTI para crianças 17% dos 70 leitos de enfermaria para crianças Medicamentos de UTI suficientes para um mês na rede privada Ainda de acordo com Flaviano, além da ocupação nos leitos, também existe uma grande preocupação com relação aos medicamentos necessários para manter a sedação nas unidades de terapia intensiva nos hospitais privados de todo o Paraná.

O problema também é enfrentado na rede pública, conforme o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto.

Em grande parte das unidades, segundo ele, a demanda de medicamentos atualmente é suficiente para até o fim de julho.

"Alguns hospitais se prepararam melhor e conseguiram trabalhar com estoques.

Mas, de modo geral, grande parte dos hospitais têm estoque para aguentar mais um mês.

E tem alguns que já estão passando dificuldade para conseguir comprar anestésicos, por exemplo", contou.

Suspensão de cirurgias eletivas pode trazer impactos para a rede privada Uma outra dificuldade apontada pelo presidente do Sindipar com relação aos hospitais particulares, está relacionada à suspensão dos procedimentos cirúrgicos eletivos durante o período da quarentena restritiva, decretada pelo Governo Estadual.

"Um hospital privado depende, única e exclusivamente, da sua operação.

E o fluxo financeiro de um hospital demora em torno de 70 dias para ele se concretizar com o dinheiro no caixa.

Então, ou seja, se um hospital trabalha com metade da sua ocupação durante 60 dias, ao fim desse prazo, ele vai começar a receber metade do que recebia, mas o custo vai se manter integral", afirmou.

"O que a gente precisava nesse momento é de políticas públicas para que os hospitais privados consigam se manter.

Corre-se o risco de os hospitais, no meio de uma pandemia, quebrarem", acrescentou.

Um exemplo disso, segundo ele, seria a possibilidade de isenção de impostos para os hospitais privados.

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